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Acampadas. "Governo fez um erro enorme. Declarações do MAI são infelizes"

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                    Acampadas.
Acampadas. "Governo fez um erro enorme. Declarações do MAI são infelizes" (Foto: Reprodução)

O social-democrata Miguel Poiares Maduro considera que as declarações do ministro da Administração Interna, Luís Neves, sobre a intervenção policial nas acampadas são "infelizes" e não tem dúvidas de que esta é uma "decisão política" e errada.

 

"As declarações do ministro são infelizes porque parecem dizer que isto é apenas um problema da polícia. É óbvio, acho que até o próprio ministro já reconheceu no passado, que a decisão de intervir ou não numa situação destas é, em última análise, política, e o Governo devia assumir esta responsabilidade", explicou o antigo ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional do Executivo de Pedro Passos Coelho, na noite de domingo, no telejornal da noite da RTP 1.

Poiares Maduro não tem, por isso, dúvidas que o Governo de Luís Montenegro "geriu isto muito mal politicamente porque, independentemente do direito de manifestação não ser absoluto, uma intervenção das forças policiais para colocar fim a uma manifestação deve ser um último rácio e a opinião pública só o aceita dessa forma".

Para o professor universitário, a questão fundamental aqui é "política". "O Governo fez um erro enorme, na minha opinião, politicamente, ao transformar isto numa questão de ordem pública sem dar margem suficiente para que os protestos ocorressem, se manifestassem e, ao fazer isso, acabou por assumir, paradoxalmente, o ónus da responsabilidade da situação que acontece, desde logo, no tema da habitação", defendeu no canal público.

"A ironia para mim enorme é ver que os partidos políticos que são mais responsáveis pela crise da habitação que existe agora, porque governaram nove anos, são aqueles que estão agora na manifestação. Mas a responsabilidade principal política é do Governo por ter gerido muito mal esta questão", lembrou.

Poiares Maduro acredita que a carga policial "transformou isto numa questão de ordem pública, de direitos fundamentais, que não deveria ser. O Governo não deveria ter interesse, do meu ponto de vista, que assim fosse". "A forma como deveria ter lidado com isso é: dar alguma margem", exemplificando com a atitude do presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte.

"Vamos encontrar alguns dias, alguns momentos, definir um período durante o qual vocês podem manifestar, incluindo o acampar. É isso que o Governo deveria ter feito. Encontrar espaço para que o protesto exista, porque esse protesto é natural, deve acontecer e ao não aceitá-lo parece que o Governo tem medo desse protesto, assume o ónus de tudo aquilo que está mal na habitação, assume o ónus dos problemas que os jovens têm", atirou o social-democrata.

Arma, petardo, 60 euros por buzinar. As (outras) polémicas das acampadas

Os ânimos voltaram a exaltar-se em mais um fim de semana de protestos contra a habitação, no Porto e em Lisboa. A intervenção da PSP resultou em mais de 80 feridos, entre os quais polícias, e 13 detidos. Mas esta não foi a única polémica. Até multas por buzinar houve.

Natacha Nunes Costa | 08:56 - 02/11/2026

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