António Filipe defende intervenção "mais decidida" de Seguro
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António Filipe, do PCP, defendeu hoje que "se justificaria uma intervenção mais decidida" do Presidente da República além dos esclarecimentos sobre as cargas policiais na última madrugada e que o parlamento "não pode fingir que isto não aconteceu".
"Creio que se justificaria uma intervenção mais decidida do Presidente da República (PR)", disse António Filipe, membro do comité central do PCP na praça do Rossio, em Lisboa, onde milhares de pessoas voltaram a reunir-se pelo direito à habitação numa assembleia popular que hoje também protesta contra a carga policial contra os manifestantes da última madrugada.
António Filipe sublinhou que ninguém discorda de António José Seguro quando pede consensos e se manifesta preocupado, mas considera insuficiente pedir esclarecimentos detalhados sobre a última noite.
"Eu não percebo qual é a parte que o PR ainda não percebeu relativamente àquilo que vimos ontem. Creio que estando em causa de facto o funcionamento da democracia, tal como a entendemos, tal como foi conquistada no 25 de Abril, justificar-se-ia uma atuação mais enérgica, uma palavra que isto não pode acontecer", disse.
Recusando substituir-se ao PR e dizer se devia ser demitido o ministro da Administração Interna (MAI), Luis Neves, o dirigente comunista sublinhou que "a composição do Governo é exclusivamente da responsabilidade do primeiro-ministro".
"Se o MAI é este, se a atuação da polícia é esta, é o primeiro-ministro o primeiro e último responsável pelo que se está a passar".
O antigo deputado comunista referiu ainda a necessidade de um plenário extraordinário na Assembleia da República (AR), interrompendo a discussão do próximo Orçamento do Estado (OE), com a presença do Governo, para que sejam retiradas "responsabilidades políticas em relação a uma violação tão grosseira de direitos fundamentais".
"Se até aqui era uma questão de respeito pelo direito à habitação, agora é mais do que isso. É o respeito pelos direitos fundamentais, que estão a ser violados, designadamente pela atuação policial a que temos assistido, particularmente grave na madrugada passada", disse o dirigente sobre a convocação de um plenário urgente no parlamento.
Para António Filipe, "a AR não pode fingir que isto não aconteceu e não pode continuar a discutir calmamente o OE e fazer de conta que isto não se passou", insistindo na urgência do plenário "para que o Governo seja responsabilizado".
António Filipe declarou-se "indignado e preocupado" com a atuação policial da última noite, para a qual disse não haver justificação, nem sequer uma alegada resposta violenta contra a polícia por parte dos manifestantes, considerando ainda que "é gravissímo" a presença de polícias à civil com uso de arma.
A presença do Mecanismo de Prevenção da Tortura da Provedoria de Justiça na manifestação na acampada de sábado foi "muito importante", disse o antigo deputado, que aguarda as conclusões do relatório.
[Notícia atualizada às 20h21]