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Comunidade muçulmana no Michigan receia que Trump encoraje extremistas

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                    Comunidade muçulmana no Michigan receia que Trump encoraje extremistas
Comunidade muçulmana no Michigan receia que Trump encoraje extremistas (Foto: Reprodução)

A comunidade muçulmana de Dearborn receia que os ataques por parte do Presidente dos Estados Unidos encorajem o extremismo contra si, disse à Lusa um responsável da mais antiga mesquita do estado do Michigan.

 

"Os muçulmanos estão a ser atacados ao mais alto nível do Governo, pelo próprio Presidente [Donald Trump]. Sabemos que estamos protegidos pela Constituição e confiamos no sistema judicial, mas infelizmente, estes ataques por parte do Presidente e do Partido Republicano fazem-nos temer pela nossa segurança, porque há extremistas que se sentem encorajados", disse Mahdi Ali, vice-presidente da American Moslem Society, sediada no bairro de Dix, na cidade de Dearborn.

Encostada à maior cidade do estado, Detroit, esta mesquita sunita foi fundada em 1938 e está no centro de uma comunidade que provem principalmente do Iémen.

"Ao longo dos anos, vimos a economia piorar, depois melhorar, os preços dos combustíveis a variar sob as administrações de vários presidentes, mas nunca tivemos desafios como agora. É a nossa liberdade que está a ser atacada. Já levou extremistas a vir aqui a Dearborn, protestam à nossa porta, queimam o Corão", lamentou Mahdi Ali, que vive nos Estados Unidos desde 1993.

"Ele [Donald Trump] devia representar-nos a todos. Ele não ataca políticas, ataca a nossa fé. Até goza com o nome Mohammed, o nosso Profeta", apontou.

Para Mohammed, um dos fiéis que se juntou à oração do meio-dia, a Duhur, é uma realidade que só tem piorado desde os ataques terroristas de extremistas islâmicos em Nova Iorque de 11 de setembro de 2001.

"Nesse mesmo dia, depois da hora de almoço, deixei de ser uma pessoa. Passei a ser um terrorista aos olhos de muita gente. Passei a ser 'um deles'", diz à Lusa, notando que a maior parte das guerras combatidas pelos Estados Unidos desde então têm sido dirigidas contra países islâmicos, como o Afeganistão, o Iraque e agora o Irão, "que sejam ou não legítimas".

No estado que elegerá um senador nas eleições intercalares de terça-feira, a religião tem sido um ponto central da campanha, porque o candidato democrata, Abdul El-Sayed, que poderá ser o primeiro muçulmano eleito para o Senado norte-americano, é muçulmano.

"Eu espero que ele seja eleito. Deve representar todos os cidadãos do Michigan, todos os americanos, e ajudar-nos a proteger as nossas liberdades, garantindo que as coisas vão no caminho certo. Os senadores trabalham para todos os americanos e esperamos que ele seja um bom exemplo", afimou.

A política anti-imigração ilegal de Trump, marcada pelas ações da polícia de imigração e fronteiras ICE, também assusta os muçulmanos de Dearborn, embora Mahdi não saiba de nenhum membro da comunidade que tenha sido detido.

"Mas [os agentes do ICE] estão por todo o lado. A maior parte de nós está aqui legalmente, mas sabemos que eles podem vir em qualquer altura e prender pessoas aleatoriamente", admitiu, acrescentando que a política de imigração norte-americana leva a que "todos os casos de legalização estejam congelados e ninguém possa trazer família do estrangeiro e obter cidadadia, mesmo quando cumprem todos os requisitos".

O que aconselha aos membros que frequentam a mesquita, que também se dedica ao ensino do árabe e a apoio social, é que "enfrentem estes desafios votando em grande número, para que sejam eleitos líderes que protejam as liberdades".

"O Presidente e outros dizem claramente que não querem um muçulmano no Senado. Mas confiamos e temos fé na população americana, que não ouça estes comentários. A Constituição protege todas as fés. Nós respeitamo-la e seguimos as leis. Fazer o contrário não é americano", indicou.

"Eu vou votar amanhã [terça-feira]", garantiu Mohammed, referindo que o democrata, que concorre contra o republicano Mike Rogers, deve fazer por "todos os 'michiganders'".

"Podemos concordar em discordar, mas devemos todos ir pelo objetivo comum que é tornar as coisas melhores para todos. Toda a gente quer bons cuidados de saúde, bons salários, segurança, uma casa para morar, seja um país rico ou um país pobre", argumentou.

"Quando se é miúdo e se está no recreio, quanto mais se brinca com alguém, mais se gosta dessa pessoa. Não se olha para a cor da pele, basta saber o nome da outra pessoa a quem se diz 'até amanhã' para mais brincadeira", refletiu.

São coisas que não importam quando se é educado "para ser justo com toda a gente e para viver em harmonia com os outros".

"Quando se é criado a demonizar esta pessoa ou aquela cor… aí é que temos problemas. E eu não fui criado assim", disse o carpinteiro de 40 anos.

Os norte-americanos votam na terça-feira para eleger uma nova Câmara dos representantes e 35 senadores, numa eleição que poderá representar uma maioria democrata numa ou em ambas as câmaras do Congresso, atualmente com maioria republicana.

EUA e Venezuela reúnem-se em Washington após retoma de relações

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, reuniu-se hoje em Washington com o novo ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Oliver Blanco, no primeiro encontro desde o restabelecimento das relações diplomáticas. A reunião ocorreu após a Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciar que o país realizará todas as eleições previstas na Constituição, sem apresentar um calendário.

Lusa | 18:55 - 02/11/2026

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