Dois petroleiros colidem com minas em Ormuz, quando decorrem negociações
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O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica iraniano anunciou que mais dois petroleiros colidiram com minas navais no Estreito de Ormuz, enquanto o Irão os Estados Unidos mantêm negociações indiretas através do Qatar para pôr fim ao conflito.
"Dois petroleiros infratores explodiram após colidirem com minas navais numa rota não autorizada do Estreito de Ormuz", informou no final do domingo o IRGC (na sigla em inglês), segundo a agência Tasnim, associada a este corpo militar de elite.
A força militar indicou que uma dessas embarcações era um superpetroleiro que "sofreu uma forte explosão e encontra-se em chamas".
O IRGC não especificou as bandeiras dos navios, nem informou sobre eventuais vítimas ou a magnitude dos danos.
"Estes petroleiros tinham desligado os sistemas de navegação e identificação e pretendiam atravessar clandestinamente o Estreito de Ormuz por uma rota não autorizada, com o apoio do Exército terrorista norte-americano, mas, após este incidente, ficaram imobilizados no local", relatou a força militar.
Nas últimas três semanas, o Irão registou cerca de 30 incidentes envolvendo navios, dos quais, pelo menos, 20 relacionados com minas navais, e afirmou que mantém sob controlo a passagem marítima estratégica.
O incidente ocorrido no final de domingo ocorre num momento em que Teerão e Washington intensificaram as negociações para pôr fim à guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão no passado dia 28 de fevereiro.
Este domingo, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Aragchi, afirmou que Teerão está a trabalhar com Doha, sem negociar diretamente com Washington, num plano de paz que pode permitir a reabertura do Estreito de Ormuz em dois dias, cujo controlo é disputado pelo Irão e pelos Estados Unidos desde o início do conflito.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, pelo seu lado, ameaçou no domingo lançar novos ataques contra o Irão, durante um comício em Iowa (centro), antes das eleições legislativas intercalares desta terça-feira.
No mesmo dia, meios de comunicação norte-americanos noticiaram que Trump abordou com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a possibilidade de retomar os bombardeamentos.
No sábado, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos ainda tinham de "tratar" de um ou dois alvos no Irão, nomeadamente a Montanha Kolang, suspeita de albergar um complexo nuclear.
"Neutralizámos as suas capacidades nucleares. Ainda nos resta tratar, diria eu, de um ou dois locais, mas podemos fazer isso em dez minutos", declarou Trump aos jornalistas na sua residência na Flórida.
Numa reação a uma sucessão de ameaças semelhantes, o guia supremo iraniano, aiatola Mojtaba Khamenei, advertiu também no sábado os Estados Unidos contra novos ataques.
"Se os inimigos voltarem a lançar ataques militares ou terroristas, serão as forças armadas da República Islâmica e o povo iraniano que determinarão o momento e as condições do fim" da guerra, sublinhou um comunicado atribuído a Khamenei e publicado na plataforma de mensagens Telegram.
Os Estados Unidos mantêm o bloqueio naval na região e intensificaram as sanções contra o Irão, ao qual ameaçam com novos ataques caso Teerão não aceite as de Washington exigências através de um acordo.
A República Islâmica exige o cumprimento das próprias condições e assegura estar preparada para se defender, face ao risco crescente de uma nova escalada militar.
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