Manifestantes em Évora usam canções para protestar pela habitação
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A canção "A formiga no carreiro", de José Afonso, foi um dos temas interpretados hoje à tarde na Praça do Giraldo, em Évora, considerada a 'sala de visitas' da cidade, num protesto pelo direito à habitação.
Este e outros temas de música de intervenção portuguesa foram interpretados pelo coro "Vozes de Abril", dirigido pela cantora Mara e formado por cantores amadores de diferentes gerações, a que se juntaram os manifestantes.
O protesto, decidido na assembleia popular realizada na sexta-feira, arrancou às 16:30 e, durante uma hora e meia, ouviram-se canções e palavras de ordem, como "tem gente sem casa e casa sem gente" ou "o povo unido jamais será vencido".
Sob o olhar atento de dois agentes da PSP, os manifestantes montaram uma tenda e caixas de cartão imitando casas e alguns empunhavam cartazes com mensagens como "Não à violência, sim ao diálogo" e "Encostem-me à parede por pedir habitação".
Enquanto entoavam palavras de ordem, algumas pessoas ergueram cravos vermelhos, num dia em que a Praça do Giraldo esteve cheia de turistas e também de estudantes universitários, já que se assinalou hoje o Dia da Universidade de Évora.
Desta vez, não se realizou a habitual assembleia popular, indicou à agência Lusa Bento Anastácio, um dos dinamizadores dos protestos em Évora, referindo que o próximo protesto está marcado para sexta-feira, às 18:00.
Também em declarações aos jornalistas, Leonor Mire, outra das dinamizadoras, fez um balanço positivo da iniciativa, assinalando que o protesto de hoje juntou "mais pessoas e de várias gerações".
"As pessoas estão exaltadas", devido à intervenção da PSP nas acampadas de Lisboa e Porto, afirmou, considerando que "não há justificação para o Governo reagir assim".
A PSP dispersou na madrugada de hoje as acampadas pelo direito à habitação no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, retirando cerca de 100 tendas. A intervenção culminou em cargas policiais e arremesso de objetos, provocando mais de duas dezenas de feridos entre manifestantes e polícias.
A atuação policial motivou um pedido de esclarecimentos do Presidente da República ao Governo e à Provedora de Justiça, e o anúncio de uma queixa-crime, por parte de um advogado, por abuso de poder contra o ministro da Administração Interna e o diretor da PSP.
Nos acampamentos, que começaram a 10 de outubro, os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.