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OMS condena ataques contra campos de deslocados no norte da Etiópia

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                    OMS condena ataques contra campos de deslocados no norte da Etiópia
OMS condena ataques contra campos de deslocados no norte da Etiópia (Foto: Reprodução)

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, condenou hoje os recentes ataques que visaram campos de deslocados no norte da Etiópia que mataram pelo menos 25 pessoas.

 

De acordo com a informação atualizada sexta-feira pela Organização Não-Governamental ACLED, especializada em dados sobre conflitos, pelo menos 25 pessoas morreram em ataques com 'drones' (aeronaves não-tripuladas) contra campos de deslocados situados no norte da Etiópia, mais concretamente em Amhara e Tigray.

Segundo a ONG, os ataques da semana passada foram lançados pelo Governo federal etíope contra os rebeldes da Frente de Libertação do Povo do Tigray (TPLF), que iniciaram uma nova ofensiva no final de setembro, com intenção de derrubar o executivo.

"Relatos de ataques a civis nas regiões de Amhara e Tigray, na Etiópia, são profundamente perturbadores. Entre os supostamente mortos no acampamento de deslocados Jaari 2, em Amhara, estavam crianças, incluindo um recém-nascido", começou por lamentar, numa publicação na rede social X, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

"Noutro ataque em Rama, Tigray, várias pessoas foram supostamente mortas enquanto tentavam obter alimentos", acrescentou.

O diretor-geral da OMS recordou que, embora estes sejam os incidentes mais recentes, ataques com 'drones' e vítimas civis tornaram-se tragicamente frequentes em toda a Etiópia.

"A violência no norte da Etiópia está a empurrar um sistema de saúde já frágil para um colapso ainda mais próximo. Hospitais enfrentam escassez de profissionais de saúde, medicamentos e equipamentos. Os serviços de ambulância estão severamente limitados. A insegurança está a obstruir a entrega de bens que salvam vidas em algumas áreas", descreveu.

Por isso, frisou que a Organização das Nações Unidas (ONU) e a OMS, assim como os seus parceiros, estão a trabalhar "incansavelmente para entregar suprimentos médicos adicionais, muito necessários a todas as regiões afetadas".

"À medida que os combates continuam, mais pessoas provavelmente perderão o acesso a cuidados de saúde essenciais, incluindo serviços de emergência, cuidados de saúde materna e infantil, e tratamento para doenças. Os civis devem ser protegidos. (...) Os mais corajosos escolhem a paz. O melhor remédio é a paz", concluiu Ghebreyesus.

Segundo a ACLED, que cita deslocados no terreno, algumas fontes locais indicaram que membros das Fano - milícias de autodefesa da etnia amhara que combatem as forças federais há mais de três anos - estão "ativos nas áreas circundantes".

As pessoas deslocadas nestes campos são originárias de Oromia, região vizinha de Amhara e a mais populosa do país, onde o Exército de Libertação Oromo (OLA) - classificado como "organização terrorista" por Adis Abeba - trava uma luta armada contra as forças federais há mais de oito anos.

No final de setembro, as Fano e o OLA formaram uma aliança militar com vários outros grupos armados etíopes, incluindo a Frente de Libertação do Povo do Tigray (TPLF), com o objetivo de "derrubar" o Governo federal, liderado pelo primeiro-ministro Abiy Ahmed.

As forças de Adis Abeba realizaram vários ataques com 'drones' em Amhara, a segunda região mais populosa da Etiópia, com mais de 20 milhões de habitantes, onde estão deslocadas cerca de 500 mil pessoas, segundo dados divulgados em julho pelas Nações Unidas.

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