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PCP aponta Governo como "o maior fator de instabilidade" no país

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                    PCP aponta Governo como
PCP aponta Governo como "o maior fator de instabilidade" no país (Foto: Reprodução)

O PCP considerou hoje que o Governo PSD/CDS-PP é "o maior fator de instabilidade" para o país e pediu o "apuramento cabal" de responsabilidades políticas pela ação policial contra manifestantes.

 

 


Em reação às cargas policiais desta madrugada em Lisboa e no Porto, o PCP afirma, em comunicado, que "o Governo faz uma interpretação restritiva da lei contrária à prática das últimas décadas e à Constituição e dá orientação para a ação repressiva das forças policiais".

"Não são a indignação e o protesto que são ilegítimos, mas sim o Governo que age à margem da lei, da Constituição e de Abril", acrescenta o PCP, que acusa o executivo chefiado por Luís Montenegro de agir "com intolerável prepotência e autoritarismo".

Para o PCP, "o Governo PSD/CDS assume-se cada vez mais como o maior fator de instabilidade, quer para a vida do povo, quer para a situação política e social do país".

O PCP associa "os acontecimentos desta noite em Lisboa e no Porto, a exemplo dos que lhes antecederam nestes últimos dias", a uma "intensificação da ofensiva do Governo PSD/CDS, apoiada por Chega e IL, contra as condições de vida e os direitos dos trabalhadores e do povo".

"Exigindo-se o apuramento cabal das responsabilidades políticas da ação repressiva em curso, o que se impõe são soluções para os problemas, medidas que respondam aos problemas que atingem a vida da maioria do povo, designadamente o direito à habitação", defende o partido.

Neste comunicado, é feito um apelo à "ampliação da luta dos trabalhadores, do povo, da juventude, dos estudantes e de outras camadas atingidas pela ação do Governo", desde logo, "nas ações de 14 de novembro pelo direito à habitação e na manifestação nacional convocada pela CGTP-IN para dia 21 deste mês".

O PCP enquadra as manifestações pela habitação como uma "luta que se intensificou nas últimas semanas perante novos passos do Governo para, em vez de lhe dar resposta, tomar medidas que o agravam", numa referência à proposta de revisão do regime de arrendamento.

"Em vez de soluções", o Governo "assume o propósito da limitação das liberdades, nomeadamente da liberdade de manifestação", acusa o PCP.

Hoje de madrugada, voltou a haver cargas policiais nas manifestações em Lisboa e no Porto, após serem dadas ordens de dispersão.

Em Lisboa, escassos minutos após o início da carga policial da PSP, a Praça D. Pedro V ficou vazia. Os manifestantes foram expulsos à bastonada pelos vários acessos ao Rossio.

No Porto, a PSP destruiu o acampamento montado na Praça D. João I. Os manifestantes resistiram, gritando que a sua ação era pacífica, à medida que a força policial avançou, com recurso a bastões e a cães, empurrando-os até à Rua Dr. Magalhães Lemos.

Um repórter de imagem da CMTV foi agredido à bastonada pela PSP durante a carga policial sobre manifestantes no Porto, que causou 38 feridos, três deles graves, segundo balanço preliminar da organização.

O porta-voz da Acampada de Lisboa pelo direito à habitação contabilizou pelo menos 10 manifestantes detidos e seis feridos na sequência da intervenção policial no Rossio.

No Porto, dezenas de manifestantes juntaram-se em vigília junto à esquadra da PSP do Heroísmo, para onde foram levados os sete detidos na sequência da carga policial na Praça D. João I.

Segundo o porta-voz da PSP, Sérgio Soares, 13 manifestantes foram detidos e 13 polícias ficaram feridos, todos no Porto, dos quais 10 da polícia de intervenção e três estavam numa unidade à civil.

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