Portugal e Grécia querem aprofundar cooperação na produção de drones
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O ministro da Defesa Nacional apontou hoje a produção de drones, os satélites e os sistemas de defesa como áreas em que Portugal e Grécia pretendem aprofundar a cooperação, após assinar um acordo para a venda de três aeronaves.
A posição foi transmitida por Nuno Melo numa declaração breve à comunicação social no Ministério da Defesa grego, em Atenas, ao lado do seu homólogo, Nikos Dendias, depois de assinado o acordo entre os dois Estados para a venda de três KC-390.
Portugal e a Grécia assinaram hoje um acordo para a venda de três aeronaves Embraer KC-390 num negócio de cerca de 590 milhões de euros que deverá gerar 33 milhões de euros de retorno para o Estado português.
Foi também assinado um acordo de cooperação bilateral entre a Força Aérea Grega e a Força Aérea Portuguesa.
O governante português considerou que "há muitas coisas" que os dois países podem fazer em conjunto, destacando a possibilidade de aprofundar a colaboração em áreas como os satélites, a produção de drones, os sistemas de defesa e aeronaves.
"Os nossos países são muito semelhantes em muitos aspetos, pelo que nos compreendemos muito facilmente", frisou, referindo que este tipo de parceria trará "benefícios mútuos" a Portugal e à Grécia.
Quanto ao acordo hoje assinado, Nuno Melo considerou que deve ser encarado como um passo numa "parceria estratégica de longo prazo, e não como um simples programa de aquisição".
Para o ministro, este negócio permitirá reforçar a cooperação entre as forças aéreas portuguesa e grega em áreas como a formação, manutenção, logística, apoio operacional e desenvolvimento de capacidades militares.
Posteriormente, em declarações à Lusa, Nuno Melo adiantou que o Governo grego manifestou interesse no futuro navio polivalente português D. João II, cuja entrega à Marinha está prevista para 2027.
"Este conceito interessou muito ao Governo grego e há uma vontade de aprofundar em relação ao futuro a possibilidade de uma aquisição de navios com estas características em parceria com a Marinha", disse.
O governante disse ainda haver interesse da Grécia nos veículos não tripulados aéreos (drones), de superfície e subaquáticos, bem como no avião Super Tucano, cuja versão adaptada aos requisitos da NATO poderá, segundo o ministro, começar brevemente a ser fabricada em Portugal.
Questionado sobre eventuais ganhos financeiros para o Estado português com a venda de navios como o D. João II, Nuno Melo referiu que as conversações estão numa fase inicial, pelo que os modelos de negócios só serão definidos caso sejam concretizados os acordos.
Por sua vez, nas declarações após a assinatura do acordo, o ministro da Defesa grego, Nikos Dendias, classificou o negócio como um momento importante na relação entre os dois países e salientou a experiência portuguesa na operação dos KC-390.
Nikos Dendias referiu também a intenção de os dois países aprofundarem as suas parcerias em áreas como a construção de aeronaves e embarcações, dando como exemplo os porta-drones.
O contrato entre os dois Estados foi assinado pelo diretor-geral de Armamento e Património da Defesa Nacional, António José Baptista, e pelo diretor-geral da Direção de Investimentos e Armamento de Defesa da Grécia, major-general Ioannis Bouras, na presença dos dois ministros e do chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general Sérgio Pereira.
O contrato inclui, além dos três aviões, equipamentos de missão, apoio à entrada em serviço e assistência posterior à Força Aérea grega.
Portugal ficará responsável pela supervisão da produção, pelo acompanhamento dos processos de aceitação e entrega das aeronaves, pela transição operacional e pela formação inicial de tripulações e mecânicos gregos, que decorrerá na Base Aérea de Beja.
[Notícia atualizada às 15h24]
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