cover
Tocando Agora:

PS exige ida urgente do MAI ao Parlamento para explicar ações policiais

...


                    PS exige ida urgente do MAI ao Parlamento para explicar ações policiais
PS exige ida urgente do MAI ao Parlamento para explicar ações policiais (Foto: Reprodução)

O secretário-geral do PS exigiu hoje, no Porto, a presença urgente do ministro da Administração Interna no Parlamento para explicar o planeamento e a execução das operações policiais nas acampadas, considerando "inaceitável" o uso desproporcionado da força.

 

Em conferência de imprensa na sede da Federação Distrital do PS/Porto, após novas cargas policiais esta noite contra manifestações em Lisboa e no Porto, José Luís Carneiro pediu também ao primeiro-ministro que convoque, com caráter de urgência, o Sistema de Segurança Interna, com a presença de representantes da Assembleia da República, para assegurar o acompanhamento institucional e o escrutínio democrático das operações policiais.

"O uso desproporcionado da força é inaceitável numa democracia", afirmou, defendendo que a atuação policial "não deve visar pessoas que se manifestem pacificamente e que não coloquem em causa valores como a integridade física, a vida ou a proteção do património público e privado".

O dirigente socialista acusou o Governo de ter estabelecido, desde o início, "um padrão de resposta às manifestações assente no exercício da autoridade policial, em detrimento de uma solução política, contribuindo para o agravamento da situação".

"A saída para esta crise só pode ser uma saída política e nunca uma saída policial pode resolver o assunto", afirmou, apelando ao Governo para alterar a sua orientação e evitar uma escalada de violência.

Para o líder do PS, "a crise social está relacionada com o aumento do custo de vida e com os custos incomportáveis da habitação", pelo que defendeu "medidas urgentes para responder às dificuldades das famílias e dos jovens".

Entre as propostas apresentadas, apontou o abandono da lei das rendas, a criação de uma garantia pública que proteja proprietários e inquilinos e a mobilização do património do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), permitindo às autarquias requalificar imóveis devolutos com caráter de urgência e os meios financeiros adequados.

José Luís Carneiro defendeu ainda "uma moratória para as rendas cujo prazo termina no final deste ano", considerando que a medida poderia constituir "um sinal de boa-fé" do Governo e contribuir para o desanuviamento social.

Questionado sobre as diferenças entre a atual intervenção policial e a ocorrida em abril de 2023, quando era ministro da Administração Interna, o líder do PS considerou tratar-se de situações "totalmente diferentes".

Na ocasião, justificou o uso da força pela polícia com os ataques então dirigidos às forças de segurança e ao património, sustentando que a intervenção visou "proteger a integridade física dos agentes e os bens que estavam a ser atacados".

O dirigente socialista sublinhou, por isso, que "o direito de manifestação deve ser exercido de forma livre e responsável, sem colocar em causa a vida, a integridade física ou a proteção do património".

Sobre a atuação do atual Governo, considerou que o primeiro-ministro tem de "assumir a liderança política", lembrando que lhe compete, designadamente, "convocar o Sistema de Segurança Interna".

"Nenhum governo resiste à falta de liderança do primeiro-ministro", afirmou, acrescentando que uma eventual remodelação governamental, que considera necessária, "terá pouca utilidade se não for acompanhada de coordenação e comando político".

E acrescentou: "Se eu fosse o primeiro-ministro, teria feito já uma remodelação do Governo".

Ressalvou, no entanto, que a decisão sobre a substituição de ministros compete ao chefe do executivo.

José Luís Carneiro disse que já apresentou ao Presidente da República propostas para responder à crise da habitação, incluindo medidas fiscais e a mobilização de imóveis públicos, com recursos financeiros e mecanismos que permitam acelerar os processos de licenciamento e construção.

Leia Também: Habitação: Nova carga policial, detidos e vários feridos. O que se sabe?

Fale Conosco