Quem tem coragem de acabar com a miséria da Taça da Liga?
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As temporadas passam, e há uma pergunta que continua insistentemente a pairar sobre o futebol português. Afinal, para que serve a Taça da Liga, uma competição que vai já para 20 anos de idade, mas que continua a ser tratada com o maior desprezo possível, assumindo a sua organização contornos de pleno surrealismo?
A Taça da Liga já passou por 'milhentos' formatos, mas talvez nenhum tão aberrante quanto o atual, onde o objetivo passa, sem grande sombra de dúvida, para que os chamados 'grandes' cheguem à 'final four', única e exclusivamente para maximizar os lucros, sem o mínimo respeito, sequer, por quem consegue furar a lógica deste plano.
É o caso do Vitória SC, que, na última época, eliminou FC e Sporting, antes de derrotar o Sporting de Braga, na final, para erguer o troféu pela primeira vez na história. Que melhor recompensa para tamanho feito do que não lhe dar a oportunidade de disputar a edição seguinte, com a hipótese de revalidar o título?
Este é, porventura, o mais grave dos 'buracos' do planeamento desta prova moribunda, onde se permite, inclusive, que as equipas joguem com meras 48 horas de descanso entre jogos, como aconteceu com o Sporting, que defrontou o Académico de Viseu, para a I Liga, no domingo, e o Marítimo, para a Taça da Liga, na terça-feira.
A prova é organizada pela Liga Portugal, mas as incongruências alastram-se à Federação Portuguesa de Futebol. Mais concretamente, ao Conselho de Disciplina, que permitiu a Jhon Durán defrontar o Gil Vicente, depois de ter recebido ordem de expulsão (concorde-se ou não com ela), na visita ao Santa Clara.
Também será, certamente, coincidência que este mesmo organismo tenha decidido aplicar a pena de interdição dos setores correspondentes aos Grupos Organizados de Adeptos do FC Porto, precisamente, nesta competição, naquele que só pode ser interpretado como um sinal de que a mesma não conta para o 'totobola'.
A Taça da Liga tinha tudo para ser uma competição útil para o futebol português. Uma competição que, não tendo a mesma importância da I Liga e da Taça de Portugal, claro está, fomentasse o lançamento de jovens jogadores portugueses e, em simultâneo, desse a outros clubes que não os do costume a chance de ganharem no capítulo desportivo e financeiro.
Ao invés, nada mais é do que uma feira de vaidades, uma maneira de sobrecarregar um calendário já por si saturado, sem que ninguém tenha verdadeiramente algo a ganhar com isso, a não ser quem a organiza, que, invariavelmente, arranjará um novo espetáculo de luzes para embelezar a final de janeiro.
Chegará, no entanto, a altura em que os clubes terão de se sentar à mesa e decidirem aquilo que verdadeiramente querem desta Taça da Liga, isto é, se algo que possa beneficiar alguém que não os fregueses habituais ou a continuidade de uma futilidade total, quem sabe, numa Arábia Saudita desta vida. E, se a conclusão passar pela segunda opção, não restará alternativa a não ser abatê-la de vez, para o bem de todos.