Revolta após nova ação da PSP, reações a multas e críticas a Seguro
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As manifestações pela habitação em Portugal voltaram a ficar marcadas por uma nova ação da PSP, na madrugada do último domingo, dia 1 de novembro, que resultou em várias pessoas feridas e outras detidas.
Mais uma vez, várias caras conhecidas juntaram-se aos manifestantes e defenderam as pessoas que estão a sair à rua para lutar pela habitação, criticando a ação policial, as multas que decidiram passar às pessoas que buzinaram em forma de protesto e ainda também houve quem criticasse igualmente o silêncio do Presidente da República, António José Seguro.
A atriz Ângela Pinto, por exemplo, juntou-se às manifestações este domingo depois da nova ação da PSP. Num vídeo que publicou na sua página de Instagram, onde se mostra de cravo vermelho ao peito e a manifestar, disse (com algum ironia à mistura):
"Eu, perigosa, terrorista me confesso. Estou aqui no meio de milhares e milhares de pessoas jovens, mais velhos que eu, menos velhos que eu... Tudo com ar terroristas, todos cheios de armas na mão pela habitação e pela vida e, sobretudo, pela não violência. Pela não violência. Estão a ouvir? Pela paz no mundo, senhores ministros. Percebem? Não percebem, não sei, mas hão de perceber. Tem que ser. Fascismo nunca mais."
Mas antes já tinha deixado uma publicação na sua página de Instagram a lamentar novamente o desfecho da manifestações. "Sem palavras para a tristeza que me invade."
Por sua vez, Filipe Vargas escreveu inicialmente na sua página de Instagram: "Sempre apoiarei o lado que quer que as pessoas tenham comida, casa, educação e sejam tratadas com dignidade."
Mais tarde, o ator criticou o silêncio do Presidente da República António José Seguro. "Seguro não falou depois da primeira agressão no Porto, depois disse pouco após as novas agressões no Porto e das primeiras em Lisboa e ainda nada disse sobre as duas últimas agressões de ontem, no Norte e Sul. Seguro é o Presidente da nossa Democracia eleito com mais votos de sempre, superando a faixa dos 3 milhões e 500 mil. Não falar em nome destes mais de 3 milhões não é opção. Foi para isso que votámos nele, contra a ameaça de um Ventura e contra os tiques anti-democráticos já demonstrados por este governo antes das eleições presidenciais. Seguro tem de falar."
De recordar que, segundo fonte oficial da Presidência da República, "o Presidente da República solicitou informações e esclarecimentos, com todo o detalhe, sobre o que se viveu esta madrugada nas manifestações em Lisboa e Porto e o que está a passar-se com os manifestantes detidos e com todas as pessoas feridas".
Já Luís Filipe Borges criticou a decisão de multarem as pessoas que passaram de carro e buzinaram em forma de protesto contra a polícia.
"A sério que estão a multar as pessoas por buzinadelas? De génio, o país está salvo! Bancarrota nunca mais! Quando fizerem as contas ao dinheiro que a malta está a dever por todos os títulos da bola celebrados desta maneira, é Portugal que vai interceder junto do FMI! E ainda pagamos a dívida externa dos EUA."
Albano Jerónimo também não ficou calado e destacou na sua página de Instagram um texto de Tiago Rodrigues, onde se podia ler:
"Os ataques violentos da polícia sobre as Acampadas pacíficas de Lisboa e do Porto são um sintoma terrível de deriva autoritária, de repressão da dissidência e de incapacidade de ouvir as reivindicações
- uma trindade que nada tem a ver com um regime democrático.
O «mouvement lycéen» em França e as acampadas pela habitação em Portugal são mobilizações sociais com muitas diferenças, mas têm em comum o facto de terem nascido da juventude e terem merecido a adesão ou apoio de largos sectores da sociedade. Penso também na lista dos estudantes na Sérvia ou nas manifestações em Espanha e Itália ou no modo como a participação da juventude brasileira contribuiu para a reviravolta progressista da segunda volta.
Em todo estes casos, respeitando as inúmeras diferenças de cada fenómeno, há uma juventude que deve ser ouvida. E esse o nosso dever enquanto sociedade, até porque sem essa escuta atenta, que dignifica quem é ouvido e quem ouve, não há dialogo nem soluções possíveis para os problemas.
Sem escuta só resta a boçalidade irresponsável com que vemos alguns deputados da extrema-direita e da direita exprimir-se, incentivando à brutalidade policial, indignos, grosseiros, com termos que deveriam ser alvo de acusações formais de incitação à violência (como está a acontecer com figuras e canais de televisão da extrema-direita francesa depois do atentado racista de Trappes). Para que o poder político possa mostrar que está à escuta da juventude, é preciso deixarmos de ouvir o ruído das botas e dos bastões."
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