Seis detidos na Acampada de Lisboa ficam sem audiência devido à greve
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A audiência em tribunal dos seis manifestantes detidos na madrugada de domingo na acampada no Rossio, que estava prevista ocorrer hoje no Campus de Justiça, em Lisboa, foi adiada devido à greve da função pública, segundo fonte da defesa.
Estava previsto que os seis detidos fossem hoje, pelas 14:00, presentes a tribunal no edifício F do Campos de Justiça, após detenção na madrugada de domingo na Acampada de Lisboa pelo crime de desobediência da ordem emanada pela Polícia de Segurança Pública (PSP) de dispersão da Praça do Rossio e retirada das tendas.
Pouco depois das 14:00, fonte da defesa dos manifestantes informou os jornalistas de que a audiência foi adiada em resultado da greve da função pública, sem dispor de informação sobre quando será reagendada esta diligência judicial.
A mesma fonte adiantou que os detidos foram informados para o adiamento da audiência judicial, com a indicação de que, por isso, não precisavam de comparecer hoje no Campus de Justiça.
Junto ao edifício F do Campus de Justiça estão cerca de uma dezena de pessoas numa vigília de apoio aos seis detidos.
Uma das pessoas erguia um cartaz de apoio: "Resistir é o nosso dever quando a injustiça é lei."
Na madrugada de domingo, praticamente em simultâneo, a PSP avançou sobre os manifestantes concentrados nas acampadas em Lisboa e no Porto para que desmobilizassem, retirando tendas e detendo 13 pessoas, tendo-se registado vários feridos, inclusive polícias.
Em representação dos manifestantes da Acampada de Lisboa, o advogado Ricardo Sá Fernandes disse, na manhã de domingo, que vai avançar com participação criminal contra o ministro da Administração Interna, Luís Neves, e o diretor nacional da PSP, Coelho de Moura, acusando-os de "abuso de poder" após a carga policial.
Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.
As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.